Artista Fernando Baril - Currículo do Artista
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Fernando Baril
BARIL (1948-2023)
Nascido na cidade de Porto Alegre em 23 de maio de 1948, Fernando Baril é um dos mais influentes artistas da pintura e desenho sul-rio-grandense.
A carreira do artista porto-alegrense começou ainda na década de 1950 e foi marcada por estudos em países como Canadá, Estados Unidos e Espanha.
Em 1959 estudou desenho e pintura com Vasco Prado (1914-1998). Organizou e expos seus trabalhos na 1ª Feira de Artes Plásticas de Porto Alegre ocorrida em 1967. Na década de 70 contribui com a formação de artistas sul-rio-grandenses e tem suas primeiras experiências formativas como professor de arte. Em 1973 com Xico Stockinger e Paulo Porcella, Fernando Baril estudou xilogravura e pintura no Atelie Livre da Prefeitura de Porto Alegre. A partir de 1977 passou a dedicar-se à arte de maneira exclusiva. Nos primeiros anos da década de 80 passou a lecionar no Ateliê Encontro da Arte, orientando o Grupo Pigmento, composto por artistas que já haviam estudado com Baril. Começou sua graduação em arquitetura em 1971. Em 1978 se mudou para a Espanha e concluiu em 1980 sua pós-graduação em pintura e procedimentos pictóricos na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, em Madri. Em 1982 fez cursos em Los Angeles, no Estados Unidos, e na década de 90 em Vancouver, no Canadá. O artista foi reconhecido e elogiado pela crítica por conta de sua fase de produções abstratas que são mais recorrentes até meados da década de 1980.
Em Nova Iorque (1988 a 1992), Baril passou do seu momento – assim denominado pelo crítico Carlos Scarinci – do “informalismo renovado” para um período de produções figurativistas que até o final de sua vida deram notoriedade a seu trabalho. Em Porto Alegre, na década de 90, Baril atuou no Museu de Arte do Rio Grande do Sul como professor de arte e como assessor do Grupo da Quinta. Em Novo Hamburgo, em 2001, ministrou o curso de Criatividade e Técnica de Pintura no Estúdio Arte Integrada.
Entre as obras de Baril que ganharam maior repercussão estão "A Arte Vê a Moda", em que retratou a estátua do Laçador com um vestido, e "Cruzando Jesus Cristo com Deusa Shiva", que mostra um Jesus Cristo com diversos braços carregando produtos que simbolizam o consumismo.
A primeira, de 1995, voltou à tona durante a exposição Baril'70, de 2018, que comemorou os 70 anos do artista. Já a segunda, produzida em 1996, gerou debate em 2017, após ser um dos alvos do ataque à exposição Queermuseu, da qual fazia parte.
Sobre a obra retratando o Laçador, Baril falou à RBS TV em 2018, quando a exposição foi aberta: "Eu queria caracterizar as mulheres gaúchas. Então botei o nosso símbolo gaúcho em cima do manequim. Não é um vestido campeiro, mas alguém falou que eu botei um gaúcho de prenda, aí criou polêmica", disse. Já quanto à obra “Cruzando Jesus Cristo com Deusa Schiva”, foi considerada pelos críticos da mostra um desrespeito a símbolos religiosos. À época, Baril defendeu seu trabalho, em entrevista a GZH: "aquilo não é Jesus, é uma pintura. É a minha cabeça, ponto. Me sinto bem à vontade para pintar o que quiser".
Fernando Baril faleceu em 2025, aos 75 anos, sendo considerado um dos principais expoentes do surrealismo no Brasil. Foi um artista cuja obra se destacou pela ousadia e pelo diálogo constante com questões políticas e sociais. Entre pintura, desenho, instalação e objetos, tornou-se um nome fundamental para compreender a arte contemporânea no Brasil a partir dos anos 1970. Em sua produção, o criticismo de Baril se assemelha a uma sátira realista de seu tempo principalmente por abordar narrativas relacionadas à sociedade de consumo, uniu crítica refinada, ironia e invenção formal, transitando entre o figurativo e o abstrato, o poético e o político, sempre com uma postura questionadora. Sua obra é dificilmente enquadrada de maneira simplista em um estilo ou movimento artístico.